Meus mosqueteiros

Às vezes me distraio e, quando me encontro, estou remoendo as palavras de Dumas. Numa dessas acabei por perceber que eu tenho meus próprios mosqueteiros, aqueles que são a base do que sou hoje.
A segurança que havia na presença de Porthos, sempre encontrei no meu pai. É ele que, independentemente da razão, estará ao meu lado, sem pedir explicação para um pedido de ajuda. É ele também que me fez, e ainda faz, sorrir com palavras simples, além de me orgulhar imensamente.
Meu Aramis não é poeta e duvido que alguma vez tenha sonhado em se ordenar, mas sempre teve inúmeras fãs. Meu tio é a versão gaúcha do belo personagem francês, tem a sensibilidade de perceber a beleza das milongas e de se encantar com a vida no campo, da beleza do nascer do sol à quietude de uma pescaria noturna.
Ah, mas o que se faria sem Athos? Aquele que percebe as falhas antes de todos, questiona as respostas prontas e está sempre de braços abertos para acolher quem quer que precise de sua ajuda. Esse não é meramente meu vizinho, é meu avô de coração e amigo incomparável. Um carinho recíproco e inexplicável. 
Mas é fato conhecido que, por trás dos mosqueteiros, mesmo que sua presença não seja anunciada constantemente, está o senhor de Tréville, capitão dos guardas do rei. É, sem dúvida, meu avô. Independentemente do que eu faça ou escolha, está ele lá para apoiar e dizer: Tu és capaz, vá adiante. Numa falha, é o primeiro a dizer: Tente de novo.
O que seria de mim sem eles? Não sei. É sabido o que seria de d’Artagnan ao chegar a Paris se não fosse pelos três inseparáveis? Pois também não o que seria de mim se meu pai, meu tio e meus avôs (o de coração e o materno) não tivessem me guiado quando cheguei ao mundo. Se sou d’Artagnan? Talvez. Uma alma jovem com sonhos altos e que tem seus quatro pilares fortes para a erguerem até lá.

5 comentários:

Pandora disse...

Eu amei esse texto dona Ana!!! É lindo e terno, da até inveja, porque eu realmente vivo em guerra constante com meu pai, não sei qual de nós dois é mais doente, se ele ou se eu!!! Mas enfim, lindo texto!!!

Erica Ferro disse...

Lembro de ter lido esse texto há um tempo. Lembro também de ter te dito que tinha gostado bastante, que o texto tinha ficado muito meigo.

=)

Gabriele Rohde disse...

Tão lindinho! *-*

Tita disse...

Tá, não adianta. Adoro esses teus textos onde você é a personagem principal e o teu mundo é tecido com os fios de palavras precisas, num texto sempre envolvente e delicioso, de forma que a gente se emocione, ria, se identifique, pense em nossas próprias histórias...
Acabamos sempre remexendo nossas emoções e memórias.
A escolha dos ídolos mostra muito de uma pessoa, muito do que ela é e do que vai ser. Resta somente a dúvida se um desses ídolos vai ser mais determinante na escolha dos caminhos da nossa "Bastião"!

Mia Sodré disse...

Analogia bonita a sua. *-*
O que seria de todos nós sem nossos mosqueteiros, não é mesmo? Graças a Deus que os temos em nossos caminhos.

Sério, ficou muito fofo esse texto.
Beijo!